terça-feira, 11 de outubro de 2011

VENCENDO O CAOS EMOCIONAL (PARTE 01)

(MEU DEPOIMENTO REAL)

"[...] Um dos grandes inimigos produzidos no âmago da alma humana e que causa uma tormenta nas águas da emoção é o medo. Há medo de todos os tipos: medo do amanhã, medo de perder o emprego, medo de falar em público, medo de pessoas, medo do que os outros pensam e falam de si, medo de doenças, medo do fracasso, medo de expressar os pensamentos, medo de ficar sozinho, medo de estar em público, medo do futuro dos filhos, medo do medo, medo da morte. Em psiquiatria, chamamos o medo de fobia. Um dos medos mais marcantes da atualidade e que está atingindo adolescentes, adultos e pessoas idosas é a síndrome do pânico. Nunca o homem teve uma medicina tão avançada e nunca teve tanto medo de morrer [...] Uma das características básicas da síndrome do pânico é a fobia social. O paciente passa a ter medo de ficar em público, de frequentar festas, bancos, reuniões sociais. Tem medo de ter uma crise e ninguém socorrê-lo ou sofrer um vexame em público. Há milhões de pessoas vítimas dessa doença, a qual é totalmente tratável [...]" (Augusto Cury, “Treinando a emoção para ser feliz”, pp. 83-85).

Era a tarde do dia 13 de novembro de 2006. Eu acabara de sair de uma cirurgia simples e graças a Deus deu tudo certo. Foi um sucesso...fisicamente falando, mas, emocionalmente...o que eu jamais iria esperar (e os médicos também) é que eu começara a conviver com uma crise aguda de ansiedade, jamais vivenciada em 33 anos de vida.

Sempre fui uma pessoa tranquila e até certo ponto sempre controlei a ansiedade. Durante alguns dias, contudo, eu atravessei crises intensas de ansiedade, a ponto de precisar me deslocar ao pronto socorro duas vezes.

Eu não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, suspeitava que era um problema de pressão alta ou de coração (que parecia querer sair pela boca), mas os médicos me informaram que era simplesmente ansiedade.

Durante alguns dias, em algumas ocasiões eu tive pensamentos depressivos. Tinha ocasiões que sentia uma inquietação aparentemente vinda do nada. Eu tinha ansiedade até pela noite que se aproximava no fim da tarde.

Nenhum lugar era bom para ficar, nenhuma posição era boa (sentado, em pé ou deitado), de qualquer forma eu me sentia inquieto, com uma vontade de sair correndo sem parar ou ficar andando sem destino certo até tudo passar.

Tive que trocar de remédio três vezes até encontrar um que me fizesse sentir melhor. Tive que trocar de psiquiatra também (é isso mesmo, psiquiatra)  porque o primeiro que procurei não estava me satisfazendo e eu não melhorava. Seu diagnóstico era que tinha “apenas” ansiedade, até que o segundo profissional que eu procurei, me disse:

“Você está com um quadro clássico de síndrome do pânico”.

Que grande susto! O susto, a surpresa foi tão grande que eu comecei já a passar mal automaticamente.

A psiquiatra me orientou a não parar de trabalhar, mas ter muita paciência, pois o tratamento era a longo prazo, bem como procurar uma qualidade de vida melhor, seja com exercícios físicos (que eu não fazia), seja com alimentação adequada (que eu não tinha), com momentos de relaxamento junto a natureza (que eu tinha muito pouco) e com o acompanhamento de um psicólogo (que eu nunca imaginei precisar). A medicação inicial foi mantida e acrescentado mais um remédio.

Tudo era muito diferente para mim, pois, como sempre fui temente a Deus, mesmo com minhas falhas e pecados, nunca havia imaginado que precisaria chegar a este ponto.

Eu estava emocionalmente em estagnação, precisava reaprender a sentir, a pensar, a me expressar com mais transparência e não guardar as emoções e a depender mais das pessoas e de Deus.

Eu passei pelos mais variados sintomas neste período, desde fortes dores de cabeça tencionais, tonturas, insônia, sensação de desmaio, sensação de irrealidade, de pânico, irritabilidade, dores musculares muito intensas, tremor nas mãos, coordenação motora afetada, ondas de calor, falta de ar, sensibilidade enorme a ruídos altos e lugares com grande aglomeração de pessoas, entre outros. É difícil descrever qual é o pior de todos eles.

Mas, graças a Deus eu venci esta fase dia após dia, com muita, muita fé nEle e dependência dEle, juntamente com a receita de vida que os médicos me passaram, inclusive o apoio da família.

A dose dos remédios gradualmente foi reduzida e com certeza, em nome do Senhor Jesus eu vencerei, depois de quase cinco anos de luta, a etapa final que resta de cerca de um ano ainda.

Com exceção da sensibilidade ao som muito alto (diagnosticada como uma labirintite irritativa), os sintomas praticamente desapareceram, mas eu não posso me descuidar da saúde, para não ter uma recaída, com situações tais como não dormir e não me alimentar direito.

Muitos especialistas dizem que síndrome do pânico é uma doença sem cura definitiva, mas que com o tratamento adequado, nós passamos a aprender a lidar e conviver com ela, evitando ou dominando os sintomas.

Eu tenho tido uma experiência diária de vitória com Jesus ao meu lado, com as Suas orientações, com a Sua presença. Hoje eu sei que a cirurgia foi um sucesso do ponto de vista físico, emocional e espiritual.

Neste momento aproveito para fazer um apelo à todos que possuem alguém com síndrome (transtorno) do pânico ou depressão na família, igreja, trabalho ou outro círculo de convivência social:

Por favor e em nome do Senhor Jesus Cristo, não se afastem destas pessoas de maneira preconceituosa (mesmo que inconscientemente) e sempre que tiverem uma oportunidade, transmitam confiança, firmeza, tranquilidade e amizade a elas, pois elas precisam de alguém ao lado transmitindo estes sentimentos por terem perdido temporariamente sua capacidade de auto-confiança, auto-controle, auto-estima, etc. Sem esse apoio será muito difícil o tratamento. 


Dificilmente as pessoas afetadas conseguirão sozinhas controlar os sintomas e conseguir melhorar.

O que elas estão sentido não é por falta de fé, nem por falta de caráter, não é "frescura", mas é uma doença, e é grave (ou pode se tornar grave) se não for tratada adequadamente. 


Procurem os profissionais desta área (psiquiatras e psicólogos, por exemplo) e sem barreiras (como eu tive no começo) para que eles possam transmitir o tratamento adequado, que dependerá, por sua vez, do engajamento do próprio paciente e daqueles que o cercam para ser realizado corretamente, podendo ser mais curto ou mais prolongado.

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