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domingo, 27 de novembro de 2011

TECNOLOGIA: USUÁRIOS OU ESCRAVOS?

Devemos reconhecer que a tecnologia é uma benção, pelo menos acreditamos que esse é o seu propósito principal: O Criador dotou a humanidade de uma inteligência capaz de criar e aprimorar máquinas e procedimentos que a cada dia nos impressionam mais e que, por causa do livre poder de decisão do ser humano, ao mesmo tempo podem ser usados para o bem ou para propósitos destrutivos, ao mesmo tempo libertam ou escravizam as pessoas.

Computadores cada vez mais velozes e com maior capacidade de armazenamento, a internet oferecendo cada vez mais opções para os internautas, redes de relacionamento virtual, os celulares cada vez mais avançados e para os músicos também, opções constantemente atualizadas. A tecnologia auxilia a humanidade em praticamente todas as áreas: medicina, comunicações, educação, música, esportes, indústria, comércio, entretenimento, artes, transações bancárias, compras on-line, cursos, etc.

Mas não podemos esquecer de fazer uma auto avliação constante:

Até que ponto o nosso relacionamento com a tecnologia está nos auxiliando ou prejudicando?

Afinal, quantas horas passamos navegando na internet em detrimento do convivio familiar? Quanto de nosso dinheiro investimos muitas vezes em equipamentos da moda mas que estão muito além da nossa real necessidade? Será que precisamos gastar tanto com novos celulares? (muitas vezes celulares para crianças, será que é bom?). Será que o nosso carro precisa mesmo de tantos acessórios tecnológicos de última geração? Será que a nossa casa precisa estar constantemente atualizada com os utensílios e eletrônicos que são lançados praticamente todos os dias?

Uma parcela significativa da nossa sociedade está tão escravizada pela internet e pelos jogos, por exemplo, que está acarretando, inclusive, disturbios psicológicos e sociais, pessoas que não conseguem mais conviver adequadamente com amigos e família devido às horas incontáveis que passam navegando na internet, jogando e lidando com o mundo virtual.

Devemos ter senso crítico, utilizar todos estes equipamentos é bom, é necessário e a cada dia que passa se torna indispensável. A humanidade é dependente da tecnologia. Experimente ficar pelo menos um dia sem computador ou celular por exemplo. A experiência não é das melhores, traz prejuízos em diversas áreas. Nós precisamos utilizar a tecnologia para trabalhar na esmagadora maioria das vezes e é com ela que podemos nos comunicar com parentes distantes, amigos que estão em outras cidades, alcançar um número expressivo de pessoas ao mesmo tempo, em uma velocidade incrível e em uma abrangência gigantesca com apenas o envio de um e-mail, por exemplo.

Mas o ser humano, como sempre, também utiliza a criatividade que o Criador lhe deu para propósitos destrutivos. A tecnologia pode salvar vidas e curar doenças e paralisias, mas também, se utilizada erradamente, pode causar a morte de milhares de pessoas em uma guerra. Sem falar dos crimes via internet tão em destaque atualmente, os vírus tão destrutivos para a produtividade das pessoas e das empresas. São e-mails indesejáveis, a difamação via internet, a clonagem de celulares, os crackers ou simplesmente "endeusar" a tecnologia em detrimento do relacionamento entre as pessoas, ou seja, passar mais tempo com um computador, por exemplo, do que com a família e amigos.

Afinal, a internet aproxima ou separa as pessoas? Depende da situação. Depende do nosso bom senso.

Com a tecnologia ocorre um fenômeno semelhante ao dinheiro: ou somos senhores dela ou seus escravos.

Não, não estamos aqui defendendo um estilo de vida alienado e eremita, é muito bom desfrutarmos de todo o conforto e praticidade que a tecnologia nos oferece, mas sempre com uma boa dose de bom senso.

Que estejamos atentos e saibamos usar bem a nossa inteligência e o nosso tempo para construir uma sociedade melhor.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A IGREJA CRISTÃ E A SANTIFICAÇÃO DA MÚSICA

É interessante e triste ao mesmo tempo constatar um grande equívoco da natureza decaída dos seres humanos:

A música tem sido "santificada" de forma errada, ou melhor, de maneira desproporcional, por muitos evangélicos atualmente.


Música é música em qualquer lugar, na igreja ou não.

Vamos explicar melhor: a música parece estar sendo santificada em detrimento de outras áreas da nossa vida, ou seja, segundo um grande número de cristãos, quando tocamos no assunto "música", devemos nos isolar da cultura popular e secular, mas paremos para pensar um momento: qual a diferença da música para a família, para o trabalho, para a comunicação, o sexo e o relacionamento humano?

Tudo isso foi criado e é abençoado por Deus, tudo isso vem de Deus. Mas, muitos afirmam categoricamente que os cristãos devem apenas ouvir músicas cristãs, mas quando se referem a outras áreas da nossa vida, não precisa haver muito a influência cristã.

Deixe-me exemplificar: um determinado irmão ou determinada irmã em Cristo prefere ouvir apenas músicas evangélicas e prega esse comportamento e isso é saudável e proveitoso, mas a questão é que, por outro lado, ele(a) lê boas revistas seculares, ele(a) assiste excelentes filmes e shows seculares, o prestativo e hábil mecânico que consertou o seu carro não é evangélico, o seu inteligentíssimo professor da faculdade não é evangélico, o pedreiro honesto e habilidoso que reformou a sua casa não é evangélico, o seu chefe ou seu melhor amigo do trabalho ou da escola não é evangélico, ou a sua secretária do lar (que cuida de sua casa, prepara tão bem sua comida e suas roupas, por exemplo) também não é evangélica.

Algumas vezes alguns dos funcionários que trabalham em uma igreja ou inclusive na escola da qual a igreja é mantenedora, por exemplo, seja na limpeza, organização ou no escritório, também não são evangélicos e até mesmo aqueles que fazem a manutenção elétrica, sonora, hidráulica ou dos bancos ou dos instrumentos musicais da igreja ou da parte de informática não são evangélicos e até mesmo o habilidoso professor de música ou canto que ensinou os integrantes do ministério de música também não é evangélico.

E qual é o problema em tudo isso? Não são todos eles pessoas honestas e de bom caráter nas quais podemos confiar? Sim.

Seguramente podemos dizer que nessas situações não há qualquer problema se sabemos manter o nosso testemunho e devemos, sim, preservar esses bons relacionamentos, mas a influência secular certamente está fortemente presente em todas essas pessoas, mesmo que sejam pessoas honestas, trabalhadoras habilidosas e religiosas. Não somos "eremitas", estamos inseridos em um contexto sócio-cultural e é nele que vivemos, estudamos, trabalhamos, amamos, etc.

Inclusive, muitas vezes temos um relacionamento melhor com os não crentes do que com muitas pessoas que frequentam as igrejas evangélicas. Muitas vezes até mesmo o seu cônjuge com quem se casou por amor não é salvo em Cristo ainda (vejam por exemplo 1Co 7:12-14 para maiores detalhes). E agora? Situações parecidas com estas ocorrem diariamente conosco, nós que já recebemos a Cristo, não é mesmo?

Meus irmãos, não só a música é santificada por Deus, mas toda a nossa vida em todas as áreas também deve ser, independente de nos relacionarmos ou não com a cultura e as pessoas não crentes.

Tudo foi criado por Deus e deve ser consagrado a Ele, não só a música (Rm 11:33-36). Nós somos "a luz do mundo" e "o sal da terra" (Mt 5:14-16).

Cristo afirmou que o nosso testemunho cristão pode dar mais qualidade de vida às pessoas que não O conhecem ainda. Mas, se não dermos um testemunho fiel, seremos alvo de escândalo e repúdio da sociedade (Mt 5:13).

Ele também declarou que o nosso testemunho cristão traz luz para a escuridão que o mundo vive e não deve ficar escondido da sociedade, pelo contrário, nossas atitudes devem fazer com que os incrédulos venham a glorificar a Deus (Mt 5:14-16; Lc 11:33-36).

Em nenhum destes relacionamentos que citamos acima como exemplo, um de nós, cristãos, se contaminou espiritualmente se realmente manteve seu testemunho cristão intacto e nem mesmo a igreja foi contaminada espiritualmente, ou pior, amaldiçoada, por causa daquelas pessoas, pelo contrário muitas vezes.

Mas quando muitos de nós vamos ouvir, estudar ou aprender uma música, por exemplo, aí não, aí os compositores, instrumentistas, cantores e professores precisam ser evangélicos e a letra também. Isso parece um radicalismo imaturo.

Nossos jovens cristãos, então, terão que parar de estudar nos melhores conservatórios musicais e faculdades de música somente pelo fato de que muitos não são administrados por evangélicos? Evidente que não. Seria uma atitude ridiculamente insensata. A música tem um poder influenciador muito grande, é evidente, mas estamos dando poderes demais a ela em relação a outras áreas da nossa cultura.

O que muitas vezes os evangélicos se esquecem ou nem conhecem é que mesmo o ser humano incrédulo, que ainda não teve um encontro real com Cristo, que ainda se encontra perdido em seus pecados e sem a salvação, pode ser usado soberanamente por Deus.

Parece estranho, mas é a verdade. Deus "derrama" sobre toda a humanidade, outra espécie de graça, que não é a graça que redimiu os cristãos por meio de Cristo, mas a chamada "graça comum".

 Por exemplo, Ele usou a prostituta Raabe (Hb 11:31) e o rei Ciro da Pérsia (Ed 1:1-11) para libertar o povo judeu em duas situações e, mesmo sem ser cristão (será que ele ainda não tinha se convertido?), o sábio mestre da lei Gamalieu mostrou seu conhecimento sobre o poder de Deus (At 5:29-42).

Temos que admitir sem exitar: Existem expressões verdadeiras além dos “muros” do cristianismo.

Aliás, toda verdade vem de Deus, não apenas na música, o nosso assunto em pauta, mas em todas as áreas da vida.

O apóstolo Paulo reconheceu que, apesar de não crentes, alguns poetas do seu tempo expressaram a verdade (At 17:27-29; 1Co 15:33; Tt 1:10-13; comparem as citações extra-bíblicas verdadeiras em Judas 9 e 14 e ainda 2Pe 2:22).

Os não crentes podem, inclusive, aproveitar melhor as oportunidades do que os cristãos (Lc 16:8). Mas os cristãos deveriam aproveitar melhor as oportunidades que lhe aparecem na vida, estarem mais atentos (1Co 16:9,12; 2Co 2:12; Ef 5:16; Cl 4:5; 1Tm 2:6; 2Tm 4:2).

Ademais, se condenássemos uma expressão cultural simplesmente por ser secular (não evangélica), teríamos que ser radicais, não poderíamos, por exemplo, consultar um dicionário, estudar livros escolares, ler jornal, revista, literatura universal, não poderíamos cantar o hino nacional e nem ouvir música clássica, seríamos proibidos de usar quaisquer roupas produzidas em nosso país ou no exterior e nem assistir televisão ou ir ao cinema (que, inclusive se utilizam da trilha sonora).

Possivelmente até mesmo a canção "Parabéns a você" não poderia mais ser entoada em nossos aniversários evangélicos.

Não podemos nos esquecer também que existem expressões culturais e intelectuais de boa e de má qualidade em qualquer setor da sociedade. Até mesmo na cultura evangélica existem músicas, livros, filmes, entre outros, que jamais deveriam ter sido elaborados, devido ao seu conteúdo discutível.

Nós, cristãos, não somos melhores do que os não crentes, pois toda a humanidade é pecadora e carece da glória de Deus, mas, somos diferentes, pois somos salvos pela graça de Deus, através da fé em Cristo (Rm 3:21-24).

E devemos testemunhar e pregar o evangelho àqueles que nos cercam, em amor, para que eles também venham a conhecer essa vida abundante em Cristo.

Não devemos, portanto, nos isolar do mundo, mas, vivendo nele, testemunhar de Jesus aos que estão se perdendo sem salvação (Mt 5:11-16).

Santificação é separar-se do pecado e não dos pecadores (Jo 17:15-17). No entanto, devemos ter o discernimento cristão suficiente para analisar todas as situações e aprovar apenas aquelas que são edificantes (Fp 1:9-10; 1Ts 5:21; Tt 2:6), para mantermos a nossa mente sempre pura (Fp 4:8).

Devemos usar a nossa liberdade cristã de maneira sábia e responsável (Gl 5:13; 1Co 10:23; 6:12), buscar a direção de Deus na tomada de decisões (Cl 3:15; 1Jo 2:20,27) e fazermos tudo para a glória de Deus e em nome de Jesus (1Co 10:31; Cl 3:17).

Finalmente, o que queremos dizer é que a música não é mais santa do que outra área de nossa vida e que é impossível nos separarmos, nos afastarmos do relacionamento com culturas ou pessoas que ainda não são salvas (vejam por exemplo 1Co 5:9-11).

E mais, existem alas da igreja que não apenas acreditam que a música é 'hipersanta" em detrimento das outras áreas da vida cristã, mas, infelizmente tratam os músicos e vocalistas dos ministérios de música como "levitas", como se apenas eles participassem de uma categoria superior de santidade, acima do bem e do mal.

Mas todos os cristãos, sejam de quaisquer ministérios, na Nova Aliança, na era da graça de Deus, são levitas, não apenas os músicos. É o sacerdócio universal dos crentes.

Em seu livro "O que estão fazendo com a Igreja" (p. 160), o Rev. Augustus Nicodemus Lopes, entre outros assuntos, abordou algumas questões problemáticas dentro do ministério de música nas igrejas evangélicas atuais. Em um inteligente texto fictício como sendo uma carta escrita por ele a um jovem pastor sobre o grupo de louvor de sua igreja, em uma das sugestões ele afirmou:

"Procure mostrar que eles não são levitas. Não temos mais levitas hoje. Todo o povo de Deus, cada cristão em particular, é um levita, um sacerdote, como o Novo Testamento ensina. É uma ideia abominável que os membros do grupo de louvor são levitas. Isso reintroduz o conceito que foi abolido na Reforma protestante de que o louvor e o acesso a Deus são prerrogativas de apenas um grupo e não de todo o povo de Deus (...) Tais conceitos apenas servem para que eles se sintam mais especiais do que realmente são e, portanto, intocáveis (...)"

Mas, voltando à questão do nosso envolvimento com a cultura secular, lembremos que o Senhor Jesus pediu ao Pai que não nos tirassem do mundo, mas que apenas nos livrasse do mal enquanto nos santificamos e testemunhamos dEle (Jo 17:14-18).

Sabemos que o nosso envolvimento com as obras mundanas gera inimizade com Deus, sim (Tg 4:4; Mt 6:24; 1Co 10:19-22; 1Jo 2:15-17). Mas, isso não significa, no entanto, que devemos nos afastar do mundo.

A questão é: até que ponto a convivência com as pessoas e sua cultura está nos trazendo conivência com os seus pecados?

Você prefere ouvir "apenas" músicas cristãs evangélicas? Tudo bem, tudo ótimo. Mas, tome cuidado ao julgar não apenas os não crentes, mas até mesmo muitos de nossos irmãos e suas preferências seculares.

Ou você não aprecia músicas evangélicas internacionais, pois não entende o idioma e receia que estejam desagradando a Deus? Muito bem também.

Quando estamos na dúvida, é sempre razoável optar pelo NÃO. Mas, saiba que existem inúmeros e excelentes músicos irmãos em Cristo do exterior que podem ter suas músicas apreciadas sem problema, se você preferir.

Ou será ainda que você ouve músicas cristãs ou não sem o menor critério? Cuidado, temos que saber discernir o que é bom e melhor em nossa santificação para agradar ao Senhor (Fp 1:9-11; 1Ts 5:21; comparem com Tt 2:6).

Jesus enviou seus discípulos a pregar a um povo pecador, mas os advertiu a serem “prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10:16).

Pode existir ainda uma ala de irmãos em Cristo que não aprecia música evangélica, por incrível que pareça, nem cânticos espirituais e nem hinos. Em outras palavras, eles estão no outro extremo da questão: só ouvem música secular.

Cuidado meu irmão. Se esse é o seu caso, é complicado julgar e definir, mas é muito provável que você esteja distante de uma vida abundante em Cristo e cheia do Espírito Santo, pois a música, a boa música cristã, nos leva a nos aproximar mais de Deus, ela nos edifica, nos quebranta, nos faz ter um relacionamento melhor com Deus e com a Igreja e uma compreensão melhor de ambos.

A música secular pode ser apreciada. "Secular" não significa necessariamente "profano". Mas, por melhor que seja essa música secular, a sua letra, o seu arranjo e seja bem intencionada, e sabendo que ela pode propagar muita verdade, sim, a questão é que ela seguramtne não nos acrescenta praticamente nada na área da espiritualidade cristã autêntica e bíblica e muitas, até mesmo não intencionalmente, podem sutilmente nos influenciar negativamente em nossas convicções. Temos que ser criteriosos, sóbrios e atentos.

"O ouvido prova as palavras como a língua prova o alimento. Tratemos de discernir juntos o que é certo e de aprender o que é bom." (Jó 34:3-4).

Deus abençoe a todos. Amém.

domingo, 9 de outubro de 2011

FENÔMENOS EXTRA-BÍBLICOS

Algumas denominações evangélicas há muito tempo têm permitindo ingenuamente manifestações místicas, sobrenaturais ou até mesmo puramente emocionais em seus momentos de culto, na grande parte das vezes durante o momento de cânticos (mas também durante a pregação), que são equivocadamente chamadas de sinais da plenitude do Espírito Santo e de avivamento.

Nestas reuniões, são manifestados supostos tipos de “unção”, como a "unção do paletó", como o “cair no Espírito”, quando os crentes ficam prostrados ao chão durante longos períodos, a “unção do riso”, quando a congregação emite prolongadas gargalhadas e o que poderíamos chamar de a “unção do zoológico”, quando são realizadas imitações de cão, leão, águia e assim por diante (não apenas os ruídos, mas os gestos também).
                            
FONTE DA IMAGEM (vejam um estudo semelhante neste blog):

O Rev. Augustus Nicodemus Lopes, em seu artigo “Entendendo a Bênção de Toronto”, afirmou que:

“(...) A verdade é que não existe justificativa bíblica para ‘cair’ no espírito, rir no espírito, e imitar sons de animais. Não lemos destas coisas ocorrendo com os crentes da Igreja apostólica, no livro de Atos, nem há qualquer referência a estas manifestações nas cartas escritas pelos apóstolos às comunidades do primeiro século. Se estas coisas acompanharam a Igreja apostólica, e eram para ocorrer através dos séculos na Igreja cristã, é estranho que não há qualquer referência, orientação, ou instrução, da parte dos apóstolos a este respeito (...) Embora não possamos negar a possibilidade da ocorrência de fenômenos físicos em resposta à uma obra intensa do Espírito, devemos recusá-los como evidência costumeira desta obra, devido, não somente à sua subjetividade, mas, especialmente, ao fato de que esta posição é biblicamente insustentável (...) Crentes que experimentam estas reações, como cair, tremer, ficar duro, emitir sons animais, e as consideram como resultado da operação do Espírito em suas vidas, podem estar trilhando o caminho perigoso da ilusão religiosa. Quando estas reações acabarem, serão tentados a reproduzi-las por si próprios (...)” (fonte: http://www.ipb.org.br/).



O Pr. Paulo Romeiro, no livro “Evangélicos em Crise”, afirmou:

“(...) Um outro fato que não deve ser esquecido é que toda vez que a Bíblia relata de homens que passaram por tal experiência [cair diante da presença de Deus], ela foi acompanhada de reverência, temor e adoração, e eles sempre caíram sobre seus rostos, bem diferente das experiências que acontecem nos círculos neopentecostais e carismáticos, onde as pessoas caem para trás (...) [pp. 73-74]. Para justificar tais fatos, Rodney Browne [autor do livreto ‘Manifestando o Espírito Santo’] faz declarações que incomodam (ou pelo menos deveriam incomodar) qualquer cristão equilibrado. Eis uma delas: “Enquanto alguma coisa estiver acontecendo, na verdade não importa se é de Deus, do homem ou do diabo. Eu prefiro estar numa igreja onde o diabo e a carne se manifestam do que estar numa igreja onde nada acontece (...)”. Que Deus nos guarde e nos dê discernimento para filtrar o que é do homem, rejeitar o que é do inimigo e abraçar com a amor e humildade o que é do Espírito de Deus (...)” [p. 83].

É evidente que Deus é soberano para realizar Sua obra em determinada pessoa de uma maneira tão intensa que a mesma venha a cair (reverentemente com o rosto em terra). Contudo, estes fenômenos bizarros relatados até aqui seguramente não são obra do Espírito Santo.

A Palavra de Deus é a Espada do Espírito (Ef 6:17b), é com as revelações das Escrituras Sagradas que o Espírito Santo opera. Ele jamais realizará uma obra que contrarie o que está registrado na Bíblia. Foi Ele mesmo quem inspirou os autores bíblicos (2Pe 1:21; cf. 2Tm 3:16).

Estes fenômenos jamais estão presentes em inúmeras verdades bíblicas, como, por exemplo:

1) Os dons espirituais (Rm 12; 1Co 12; Ef 4);

2) O fruto do Espírito (Gl 5:22-23);

3) As reações dos cristãos da Igreja apostólica repletos do Espírito (At 2:1-15; 4:8,31; 6:3-10; 7:54-60; 8:39-40; 9:17-19; 10:44-48; 11:19-26; 13:8-12,44-52; 19:6);

4) As referências do apóstolo Paulo ao enchimento do Espírito e a plenitude de Deus (Ef 3:17-19; 5:18-21);

5) Quando a glória de Deus encheu o templo em Jerusalém e o povo se curvou diante de Sua presença (2Cr 7:1-3);

6) As inúmeras referências ao Espírito Santo no Antigo Testamento (entre elas: Ex 31:1-5; Jz 3:10; 1Sm 10:6-7; Ez 36:27-28; 37:1-14; Is 11:2; Jl 2:28-32);

7) As poderosas experiências que os apóstolos tiveram com Deus (2Co 12:1-10; Ap 1:9-11,17);

8) A atuação do Espírito Santo na vida do próprio Senhor Jesus (Mt 1:18-21; 3:16-17; 4:1; Lc 10:21; At 10:38); e

9) A descida do Espírito Santo no Dia de Pentecostes sobre 120 pessoas (At 1:15; 2:1-47).

Deus não é de confusão (1Co 14:33a) e requer de nós um culto racional, apresentando os nossos corpos a Ele em sacrifício vivo, santo e agradável (Rm 12:1), O adorando em espírito e em verdade (Jo 4:23-24), com alegria (Sl 100:2; Gl 5:22; Fp 4:4), com decência e ordem (1Co 14:40), com moderação (Fp 4:5), sem gritarias (Ef 4:31).

Em um contexto assim,  tudo é feito para a edificação da Igreja (1Co 14:12,26) e para a glória dEle (1Co 10:31), em nome de Jesus (Cl 3:17; Hb 13:15), onde podemos cantar e orar com o nosso espírito, mas, também com o uso de nossas faculdades mentais (1Co 14:15,23).

sábado, 8 de outubro de 2011

AFINAL, O ROCK É DO DIABO?

INTRODUÇÃO

É inegável a influência que o rock possui em nossa sociedade, inclusive há mais de 50 anos, desde suas origens no blues, inclusive, e suas dezenas de ramificações, passando pelo estilo anos 60, hard rock, country rock, heavy metal, metal melódico, death metal, speedy metal, funk metal, white metal, hardcore, punk, rock progressivo, classic rock, e assim por diante.

Mas não, definitivamente eu não tenho o estereótipo de roqueiro, mas por mais incrível que possa parecer, eu sou fã ardoroso do bom e velho rock desde a adolescência (evidentemente aprecio inúmeros outros estilos musicais como música romântica, clássica, eletrônica, soul, trilhas sonoras, etc).

Como sou tecladista, recebi uma influência muito grande dos estilos dos tecladistas de bandas de rock, inclusive, principalmente dos chamados "metal melódico" e o "rock progressivo".

É evidente que também fui influenciado nos estilo de tocar e compor por grupos musicais e cantores cristãos que não são classificados diretamente como grupos de rock ou roqueiros ou nem utilizam este estilo, como Hosanna Music, Michael W. Smith, Steven Curtis Chapman, Dc Talk, Vencedores por Cristo, João Alexandre, Carlos Sider, MILAD, Raízes, Rebanhão, Templo Soul, Paulo César Baruk, etc.

O ROCK É DO DIABO? QUEM É O PAI DO ROCK?

Ok, talvez nem fosse necessário existir uma data comemorativa para o rock (13 de julho), mas toda pessoa certamente concorda que o rock não tem como passar desabercebido, ele tem uma relação com a sociedade de amor e ódio do tipo "ame-o ou deixe-o", muitos o amam, o idolatram, outros não o suportam, o odeiam, chegando a dizer que este ritmo foi criado por alguma força demoníaca, no caso, o próprio Satanás.

E vamos entrar neste mérito aqui, porque acreditamos que esta asseveração é infundada, pois a música foi criada por Deus, é a humanidade que a utiliza de forma equivocada, desordenada (e é claro, muitas vezes influenciada por forças espirituais malignas).

O que ocorre muitas vezes é que devido à exageros demonstrados pelos praticantes de um determinado estilo musical como o volume sonoro excessivo, o vestuário e as danças provocativas e lascivas, sem mencionar as letras extremamente "pobres" de mensagem e conteúdo e sem criatividade, inclusive no arranjo musical, cria-se com toda a razão uma antipatia por este estilo, mas não é um "preconceito musical", nestes casos é "conceito musical", pois a música está sendo desrespeitada nestes casos.

As músicas incluídas neste contexto de pouca criatividade e muita vulgaridade, muitas vezes são classificadas popularmente como "cultura do lixo", ou seja, um cabedal, toda uma sorte de ritmos, danças e letras que surgem periodicamente em nosso país e que vulgarizam, depalperam a vida, a criatividade, o bom gosto, os relacionamentos humanos e a sexualidade, por exemplo, muitas vezes apenas visando a venda de CDs, DVDs e a gigantesca arrecadação nos shows.

E o pior é que uma grande massa popular é influenciada por esta "cultura" (inclusive os evangélicos, infelizmente), devido à maciça, abusiva e desgastante exposição da mesma pela mídia. Lembremos sempre que Deus não criou os nossos ouvidos para serem usados como lata de lixo ou esgoto.

É evidente também que cada pessoa possui uma afinidade, uma apreciação por este ou aquele estilo musical, como para com qualquer outra área de sua vida, não apenas a música, e isso é saudável e deve ser respeitado, mas "rotular" algum estilo musical de "demoníaco" é uma atitude um tanto quanto preconceituosa, precipitada e sem base bíblica.

É preciso separar, discernir o que é música e o que é a forma como ela é exteriorizada, manifestada pelas pessoas, essa última sim, pode facilmente ser chamada de demoníaca. É preciso discernir entre essência criada pela Divindade e experiência manifestada pela humanidade.

Se formos levar essa tendência crítica da qual estamos tratando para os outros estilos musicais, então, o samba, a bossa nova, o soul, o blues, o jazz, também seriam do diabo? É evidente que não. A música é divina.

Outra questão importante é o fato de que mesmo um ritmo tendo sido criado e iniciado por alguém não cristão, ele pode ser utilizado ou "resgatado" para o contexto cristão evangélico, pois toda música vem de Deus.

É o caso do rock, por exemplo, que, independentemente de ter sido iniciado no contexto secular ou não, foi utilizado principalmente a partir dos anos 80 por uma parcela significativa de bandas "gospel" (evangélicas), como Stryper, Petra, White Heart, Guardian, etc., no exterior, e no Brasil, principalmente a partir dos anos 90, teve um movimento paralelo e de igual impacto incentivado por bandas como Katsbarnea, Oficina G3, Resgate, Fruto Sagrado, etc. (todas elas, inclusive, me influenciaram desde a adolescência).

O número de conversões a Cristo que ocorreram através do ministério dessas bandas é incalculável. A colaboração deles para a propagação da Palavra de Deus através da grande influência do rock principalmente na faixa etária mais jovem é gigantesca, resgatando jovens dos vícios, por exemplo, e até mesmo trazendo de volta cristãos afastados da comunhão com Cristo. Certamente Deus usou e ainda usa essas bandas para os Seus eternos propósitos, como também usa bandas de outros estilos.

É evidente que quando mencionamos "resgatar" um estilo musical para o ambiente cristão evangélico, devemos nos atentar para discernir o que vem junto no "pacote" deste estilo, como as danças, as vestimentas, as letras. Tudo deve ser examinado, deve ser aproveitado o que é edificante para a Igreja, para a propagação do evangelho e que principalmente glorifique a Deus.

Bem, dirigindo a nossa discussão para a origem de todo o problema, a verdade é que muitos evangélicos acreditam que a santificação é se isolar de qualquer manifestação artística, cultural ou intelectual dos não crentes, para não se contaminarem espiritualmente, acreditando que alguns estilos musicais, o sexo, os filmes, a televisão, entre outras coisas, são do diabo.

Mas, na verdade, o diabo é o pai da mentira e não do rock ou da música ou qualquer outra criação divina e um dos seus objetivos é distorcer as verdades divinas (Gn 3:1-7; Jo 8:44).

A música, em sua poderosa e irresistível influência e sua beleza inexplicável só pode vir de Deus, é dom, é dádiva de Deus para nós. O diabo não pode criar nada, ainda mais algo tão belo e edificante como a música. O diabo não é criador, mas ele é mentiroso, assassino, ladrão e destruidor (Jo 8:44; 10:10).

Sabemos que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26-27), mas, com a desobediência de Adão e Eva, ele perdeu a semelhança moral que tinha com Deus, sua impecabilidade. A sua essência tornou-se pecaminosa (Mc 7:21-23). A sua semelhança natural, ou seja, intelecto, emoções e vontade, o homem a detém (cf. 1Co 6:12; 1Ts 5:21).

O apóstolo Paulo afirmou que mesmo as pessoas não salvas possuem uma moralidade inata, gravada em seus corações (Rm 2:13-15; cf. Lc 10:30-37; At 17:24-28) e Tiago afirmou que “toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tg 1:17).

Portanto, Deus é a origem de toda luz, seja física, moral, espiritual ou intelectual. Toda a criatividade humana, as habilidades e o intelecto humanos vêm de Deus. Tudo o que Ele criou é bom, as capacidades benignas inerentes ao ser humano não vêm de nós mesmos, pecadores, mas do perfeito Deus Criador (1Tm 4:4-5; Gn 1:31; Jo 3:27; At 10:9-16,28; Hb 3:4), que nos dotou de inteligência e criatividade (Gn 4:20-22; 1Rs 4:29-34; Ec 2:26; 3:13; 4:4a; comparem com Ex 31:3-6; Jz 6:34).

É importante salientar que não estão sendo tratados aqui os dons espirituais, que são dados por Deus quando uma pessoa se converte a Cristo, por meio do Espírito Santo, para a edificação da Igreja (Rm 12:4-8; 1Co 12; Ef 4:1-16), estamos tratando dos dons e talentos naturais, inerentes a todos os seres humanos.

Infelizmente, o ser humano tem usado as capacidades recebidas de Deus para objetivos imorais e destrutivos: Deus criou o casamento, a família, o sexo, a música, a natureza, a Igreja, entre tantas outras obras, mas o homem os têm deturpado.

Ele tem utilizado sua inteligência para a guerra, para trabalhar apenas por dinheiro e sucesso, para realizar abortos, para afirmar que somos uma evolução dos macacos, usando os elementos da natureza como entorpecentes e, querendo ser igual a Deus, está tentando clonar outro ser humano (Ec 7:29).

E sabemos que o pecado vem da cobiça e da livre escolha humanas, muitas vezes influenciadas por astúcias e ensinamentos diabólicos (Dt 30:11-18; Jo 3:36; Ef 6:11-12; Tg 1:13-16; 4:17; 1Pe 4:8). Contudo, mesmo o ser humano ainda perdido em seus pecados e sem a salvação é usado por Deus.

Ele usou a prostituta Raabe (Hb 11:31) e o rei Ciro da Pérsia (Ed 1:1-11) para libertar o povo judeu em duas situações e, mesmo sem ser cristão, o sábio mestre da lei Gamalieu mostrou seu conhecimento sobre o poder de Deus (At 5:29-42).

Sendo assim, diante de todos estes ensinos, cabe também ressaltar aqui que deve-se utilizar muito o discernimento cristão ao utilizar o rock ou qualquer outro estilo, pois cada estilo, letra e ritmo possui o seu contexto mais adequado.

Por exemplo, não seria muito recomendável e não muito edificante a participação de uma banda de rock cristã evangélica, com suas guitarras em distorção máxima e seus riffs virtuosos juntamente com o baixo e as virtuosas viradas de bateria (podemos incluir um teclado é evidente) e os agudos do vocalista no ambiente de um culto vespertino dominical de uma igreja cristã historicamente mais tradicional, que geralmente possue uma parcela significativa de seus membros na faixa etária da terceira idade e que provavelmente não seriam edificados, mas prejudicados.

Talvez seja mais recomendável que um grupo assim participe de um culto ou evangelismo em um local aberto, uma praça, um parque, um estádio de futebol ou um local fechado como um ginásio ou até mesmo no templo da igreja, sim, mas em outra ocasião oportuna.

É evidente que estamos citando um exemplo e cada igreja possue certamente discernimento espiritual para saber o que é melhor.

Mas, por outro lado, não podemos subestimar as artimanhas de satanás que pode facilmente, por sua vez, utilizar uma rivalidade e polêmica entre os irmãos acerca de usar este ou aquele ritmo, este ou aquele instrumento musical, etc., e assim conseguir espaço na igreja do Senhor para seus propósitos destrutivos. Cuidado.

É evidente também que inúmeras bandas de rock seculares possuem, diretamente ou não, intensionalmente ou não, um claro e notório envolvimento com as obras de satanás, quer seja por suas mensagens, suas declarações, atitudes, maneiras de se vestir e de se apresentar.

Nem precisa muitas vezes, no caso de estrangeiros, conhecer a tradução da letra e nem precisa ser um cristão muito amadurecido para perceber, de longe muitas vezes já verificamos que há algo muito errado com elas.

Se muitas delas, por outro lado, utilizam esse envolvimento como auto promoção ou não, não nos cabe julgar agora, mas Deus sabe, e o cristão autêntico precisa, aliás, deve evitar a influência dessas bandas em sua vida.

Portanto, nenhum estilo musical pode ser considerado "do diabo", jamais. Como também a pintura, a dança, a escultura, as artes cênicas, as artes teatrais e cinematográficas, os meios de comunicação e a tecnologia, etc.

Todos eles são expressões artísticas, intelectuais e profissionais humanas oriundas do dom divino da criatividade e da inteligência.

Mas, é preciso tomar cuidado, pois os estilos musicais, a dança, os filmes, a mídia, a internet, etc, podem ser usados para a edificação, com um fim saudável, mesmo que não seja relacionado diretamente à cultura evangélica, mas também podem ser usados destrutivamente falando, como a utilização de vestuário e danças sensuais, escandalozas e provocantes, letras anti-bíblicas, volume sonoro danoso aos ouvidos humanos, a exposição da pornografia pelas artes, pela mídia, a propagação de conceitos heréticos pelos meios de comunicação, a banalização do casamento e da família, etc. É preciso muito discernimento e bom senso.

CONCLUSÕES

É isso aí, para aqueles que gostam, então, "rock na cabeça e no coração", mas, cuidado, aprecie com moderação para não deixar ninguém, inclusive você, com problemas auditivos, tenha cuidado com os maus exemplos que muitos artistas transmitem e saiba apreciar as melhores mensagens e com mais conteúdo, pois a música tem um grande poder sobre a humanidade e, como já afirmamos, ela pode ser usada de forma construtiva ou destrutiva.

Portanto, toda a glória e honra ao nosso Deus, o Pai das luzes, o Criador da criatividade, o Pai do rock. Aliás, o Pai do jazz, do samba, do soul, do blues, da música clássica e erudita, etc., o Pai da música, o Pai das artes e da comunicação.

Que Deus nos abençoe. Amém.

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Outros links para complementar o nosso estudo:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"TOQUE MAIS BAIXO, DEUS NÃO É SURDO !!" (PARTE 02)

Continuemos a ponderar sobre o excessivo volume utilizado por muitos ministérios de cânticos atualmente.

E aqui resumiremos os problemas causados por essa descabida e excessiva utilização do volume sonoro nos cultos públicos de uma considerável parcela das igrejas evangélicas:

Primeiramente, com a Igreja agindo equivocadamente como exemplificamos na postagem anterior, Deus não está sendo adorado e louvado com o melhor que temos, pois só Ele é digno de nossa adoração, mas Ele merece o melhor, não só melhores músicos e cantores, mas adoradores sinceros e humildes e a melhor sonorização, inclusive.

Para piorar, novas e falsas teologias adentraram sorrateiramente no repertório cristão evangélico e as letras atuais deixam a desejar quase sempre no quesito "respaldo bíblico", distantes daquilo que o próprio Deus ensinou na Sua Palavra.

Por este motivo, Ele também não é adorado como merece, pois muitos acreditam que Ele é e faz justamente o que Ele não é e não faz. Letras que os compositores, acredito que até mesmo inconscientemente, sorrateiramente defendem a Confissão Positiva, por exemplo.

Ou seja, defendem que o cristão é um "super cristão", inatingível pelas necessidades de saúde e financeira e que pode decretar a bênção e o milagre a hora que desejar e pode exigir de volta o que perdeu, entre tantos outros casos.

Em segundo lugar, a Igreja, os membros não estão sendo edificados (1Co 14:12,26b). Independentemente da discussão de que os membros mais idosos preferem hinos e os mais jovens preferem os cânticos, a liturgia deve ser reverente, ordeira, mas ao mesmo tempo com alegria no Senhor.

Mas esse volume excessivo não é sinônimo de ordem ou alegria, ele atrapalha a concentração necessária daquele que veio louvar de coração a Deus, muitas vezes este não consegue nem refletir na letra que está cantando.

E para piorar, a saúde de uma parcela significativa dos membros destas igrejas pode estar sendo seriamente afetada, a médio ou longo prazo, muitos podem adquirir sérios problemas auditivos.

Basta chamar um profissional especializado não só em fonoaudiologia como também em sonorização de ambientes ou poluição sonora que certamente isso será constatado.

Em terceiro lugar, a Igreja está perdendo uma oportunidade de dar testemnho do Deus de ordem e não de confusão ao qual servimos.

Com essa "barulheira santa", ao invés dos incrédulos que adentram os nossos templos serem edificados e se sentirem tocados pela mensagem das músicas (que é o ítem mais importante da música cristã), eles ficam decepcionados, vão embora e se afastam da bênção da salvação.

Ou ainda, o péssimo testemunho é verificado pelos vizinhos da igrejas que muitas vezes desejam processar na justiça as igrejas devido ao volume exagerado do som de seus cultos.

Provavelmente essas pessoas já decidiram não "virar crente" mais. "A fé vem por se ouvir a mensagem e a mensagem é ouvida mediante a Palavra de Deus" (Rm 10:17; NVI), mas este "ouvir a mensagem" deve ser edificante e não atordoante.

É preciso evitar até mesmo um comportamento tão descontrolado emocionalmente nestes "espetáculos" que leve à gritarias, o que não é incomum atualmente (Ef 4:31).

Complementando este terceiro item, precisamos enfatizar que a frase título destas duas postagens não é criação nossa, mas infelizmente é baseada em um clamor dos não crentes, uma vergonha para os crentes.

A situação chegou à um patamar tão alarmante que existe até mesmo uma campanha na internet sobre o assunto, até mesmo um site com uma ilustração desagradável que, na nossa opinião, chega à blasfêmia, como a de um "suposto" Jesus usando um fone de ouvido, tamanho é o barulho que os crentes têm feito durante os cultos públicos (segundo a opinião dos organizadores da campanha mencionada). Vejam em: http://www.deusnaoesurdo.com.br/.

Existem centenas de relatos queixosos sobre o barulho das igrejas que incomodam os vizinhos não crentes. É impressionante o ponto no qual chegou a situação. Mas, o mesmo site também cita o que eles denominam de "igrejas legais", ou seja, que se comportam no contrário desta "tendência barulhenta".

Mas, infelizmente, o problema não para por aí, a antipatia e aversão da sociedade para com o "ruído" produzido por muitas igrejas chegou ao absurdo de um pastor ter sido assassinado friamente por causa de um desentendimento com um vizinho de sua igreja. Vejam a notícia nos seguintes endereços, por exemplo:

http://noticias.gospelmais.com.br/pastor-assassinado-porta-igreja-barulho-culto-16866.html.

http://www.acredigital.net/index.php?option=com_content&view=article&id=1053:pastor-e-assassinado-na-porta-de-igreja-devido-ao-barulho-do-culto&catid=46:ronda-policial&Itemid=56

http://www.portaliap.com.br/noticias.php?codigo=385

É importante enfatizar que certamente nessas críticas e rixas estão incluídas também as orações em volume exagerado, segundo os críticos, e não apenas as músicas. Porém, o alvo do nosso estudo é focalizar a questão na área musical tão somente.

Ressaltamos também que em toda essa problemática do som exageradamente alto em algumas igrejas evangélicas, pode-se encontrar críticas infundadas, por parte de crentes e de não crentes.

Em determinadas situações o som pode não estar realmente muito alto, mas a questão é que a pessoa que está criticando, mesmo sendo membro da mesma igreja, não gosta do estilo musical adotado pelo grupo de louvor (é um direito dela, cada um tem seus próprios gostos musicais)

Mas mesmo assim, alguns não são coerentes em suas críticas e muitos promovem uma espécie de oposição contra o ministério de louvor, mesmo que velada.

Outras vezes, o som realmente também não está alto, mas a crítica vem dos incrédulos que estão incomodados com a mensagem da música ou pelas orações. Infelizmente, em muitos casos, sem essa pessoa perceber, ela pode estar sendo usada por influências espirituais malignas para perseguir a igreja.

Ressaltamos ainda que não desejamos com estes dois artigos criticar ou desestimular qualquer grupo, ministério, quarteto ou coral ou qualquer outra forma de adoração e louvor através da música encontrados nas igrejas evangélicas e nem estamos criticando um estilo, um ritmo ou um instrumento musical especificamente.

Pelo contrário, acreditamos que todos possuem o seu lugar, o seu contexto e podem ser uma grande bênção para a igreja e para a divulgação da Palavra, desde que seja tudo feito com dedicação, qualidade, humildade, moderação, decência, reverência e ordem, no momento adequado e no local adequado e sem perder a alegria e o temor pelo Senhor (1Co 14:40).

O fato é que evidentemente Deus não é surdo e nem possui qualquer tipo de problema auditivo ou de outra espécie porque Ele é perfeito e os evangélicos obviamente reconhecem isso, pois crêem neste Deus perfeito.

A questão é que o volume exagerado de muitos grupos musicais evangélicos dentro das próprias igrejas não existe com a intenção de aproximar a execução da música dos ouvidos de Deus, é evidente que não.

Todos sabem que Deus é onipresente, Ele está em qualquer lugar e não está longe de nós quando ministramos as músicas, mas bem ao nosso lado.

Esse volume exagerado é devido ao modelo de show e espetáculo importado do contexto "gospel" para as igrejas, utilizado em grandes concentrações em grandes espaços principalmente para evangelização, que por sua vez, foi importado do modelo secular de apresentação musical.

E é evidente que, usando um volume tão alto dentro de um templo, alguns ou muitos destes músicos e cantores evangélicos só podem equivocadamente estar visando também um exibicionismo dos seus talentos musicais, uma auto-promoção (às vezes até mesmo promover o seu CD ou DVD) e não o verdadeiro culto a Deus, um culto racional (Rm 12:1) e edificante para todos (1Co 14:12,26b).

Este é um exemplo clássico de quando as emoções controlam a razão. Esses personagens que estamos mencionando, em uma explosão emocional e não racional devido à óbvia influência que a música causa em todos nós e em um comportamento precipitado, impensado, fora da razão, no afã completamente egoísta de se exibir, de tentar mostrar tudo o que sabem em alguns minutos, acabam prejudicando e não edificando muitos de seus irmãos em Cristo e afastando muitos daqueles não crentes que necessitam ouvir a Palavra de Deus.

Não podemos nos esquecer que o saber ensoberbece, ele traz orgulho, mas o amor edifica a Igreja (1Co 8:1b; comparem com 2Co 10:13,17; Gl 6:14).

A música nos envolve e nos emociona com certeza, mas devemos tocar e cantar com o equilibrio entre as emoções e a razão (1Co 14:15).

Encerrando este breve estudo, fazemos um apelo àquelas igrejas irmãs que estão envolvidas com estas questões problemáticas na área musical (aliás, uma das áreas da igreja que mais se envolve em problemas) a que reflitam profundamente no que foi estudado aqui.

Procurem auxílio em irmãos em Cristo mais experientes e até mesmo em bons livros sobre o assunto (nem todos) e façam um esforço conjunto entre liderança e liderados do ministério de música (que muitas vezes não aceitam serem liderados).

Agindo desta forma, atingiremos um patamar de qualidade e moderação sonora não só no momento de música, mas durante toda a liturgia do culto, pois a nossa adoração não é só música, mas todos os momentos da nossa vida, com o propósito de adorar a Deus como só Ele merece, edificarmos Sua Igreja e darmos um bom testemunho.

A música, evidentemente criada por Deus, tem um poder influenciador impressionante, muitas vezes irresistível, ela mexe com o nosso cérebro, pode influenciar beneficamente a nossa saúde física, emocional e espiritual.

Ela pode nos levar a refletir, nos quebrantar e mudar de vida, mas desde que seja bem utilizada por nós. Do contrário, pode também trazer muitos males.

Deus nos deu a música e nos deu os dons naturais e espirituais para executá-la de forma inteligente e edificante.

Que seja assim em nome de Jesus, a partir deste que vos escreve, também suscetível a incorrer nos mesmos equívocos que criticou.

Que Deus nos abençoe. Amém.

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Para complementar o nosso artigo com outras fontes, visitem por favor:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh3u84fM_G3C9tjcC77mrjTxCuvjzrbziMdmkyvWy-1-ZArgTUK-7NZy-WSYwTgOUvmj96kVBOboD4IDPrXri-RKBdvCe21ntTQiyKoljScuFsFGYvMnHNtgfQD9RVFyG4UOro83AJeQ78/s1600/folheto_antidecibeis_vizinhanca_tranquila.jpg
http://www.somaovivo.mus.br/artigos.php?id=79
http://www.musicaeadoracao.com.br/tecnicos/sonorizacao/audio_igreja.htm
http://www.musicaeadoracao.com.br/tecnicos/sonorizacao/decibeis_fe.htm
http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=15836&topico=2618485
http://josue-rodrigues.blogspot.com/2008/03/irritao-por-causa-de-som-alto-na-igreja.html
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=804750&tit=Projeto-libera-som-alto-para-igrejas
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080206112835AAkh7nq
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090126092036AAc6pkQ
http://pauloschilling.net/campanha-deus-nao-e-surdo/http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1740678-EI306,00.html

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"TOQUE MAIS BAIXO, DEUS NÃO É SURDO !!" (PARTE 01)

A Igreja evangélica brasileira atualmente está passando por uma fase que acreditamos ter se iniciado nos anos 90 na "explosão" da música gospel em nosso país, influenciadas por cantores e bandas "gospel", nacionais e internacionais, que por sua vez, foram influenciados por bandas seculares.

Não, não estamos mencionando aqui a revolução dos estilos musicais dentro da música evangélica. No momento a nossa preocupação não é com os estilos e ritmos em si, que podem ser utilizados apropriadamente em cada contexto.

A nossa preocupação específica neste momento é mencionar a grande, para não denominar absurda, utilização de um volume sonoro exacerbado nas apresentações (sim, muitas vezes, não todas, parecem mais meras apresentações e não cultos a Deus) de bandas gospel.

E para piorar, é o que ocorre também com muitos ministérios de louvor e adoração dentro das igrejas evangélicas atualmente. 

Os chamados grupos ou ministérios de louvor (há muitas exceções) nos últimos anos importaram o mesmo tipo de "espetáculo" executado pelas bandas gospel em grandes espaços urbanos abertos ou mesmo cobertos, como parques, ginásios, estádios, entre outros, e o inseriram paulatinamente dentro dos templos, até mesmo das denominações evangélicas mais tradicionais (é evidente que neste último caso, essa inserção demorou muito mais).

Essa importação de comportamento ocorreu mesmo que para isso tenha sido infelizmente travada uma luta interna por longos anos entre os que gostam ou não de um determinado ritmo ou entre aqueles que gostam ou não de um determinado instrumento musical.

Reforçamos aqui que acreditamos que os ritmos não são o problema desde que utilizados com bom senso e no contexto apropriado.

O grande problema é que um nível sonoro semelhante (não idêntico é evidente) que se aplica corretamente naqueles lugares e contextos, para a evangelização, por serem grandes espaços e necessitarem de uma grande potência sonora, por exemplo, está sendo utilizado nos templos, muitas vezes em pequenos espaços e muitas vezes sem o mínimo critério de faixa etária, pois até os irmãos mais idosos acabam sofrendo com este problema.

Mas, vamos tentar entender nestes artigos, alguns motivos pelos quais o som de alguns ministérios de louvor é tão agressivo aos ouvidos de muitos (segundo a nossa opinião e a nossa experiência neste ministério durante aproximadamente 22 anos).

Atualmente é possível encontrar em igrejas evangélicas (graças a Deus existem muitas exceções) muitas vezes um grupo praticamente composto de jovens e adolescentes (onde a diferença de idade muitas vezes gera conflitos de ideias pois alguns são imaturos), onde muitos destes até possuem temor a Deus e bom testemunho, mas não foram bem avaliados antes de ingressarem no ministério, não possuem capacidade especificamente para o ministério de música, eles precisam, por exemplo, ou usar seus outros talentos e dons em outro ministério ou então fazerem um aperfeiçoamento no instrumento que tocam ou em um curso de canto.

Ou ocorre o contrário, ou seja, indivíduos que possuem um enorme talento, cantam ou tocam com maestria, mas, infelizmente, desejam apenas mostrarem a eles mesmos no palco e seu virtuosismo e não louvar a Deus e edificar a igreja. Estes, por sua vez, precisam ser temporariamente afastados, melhor discipulados e ensinados ou lembrados acerca da humildade cristã e o dom de servirmos uns aos outros.

Esse hipotético grupo de louvor que estamos citando como exemplo, já com todas essas falhas, adiciona ainda as questões da falta de noção de conjunto, falta de musicalidade, falta de ensaio, demonstrações particulares e inapropriadas de talento individual, etc.

Resumindo, muitos músicos cristãos se esqueceram ou nunca aprenderam que eles precisam produzir o "acompanhamento", eles apenas "acompanham" as vozes e não podem sobressair.

As vozes devem sobressair, elas transmitem a mensagem, que é o elemento mais importante da música e que deve ser entregue com clareza.

Mas, muitos dos músicos parecem desejar avidamente "solar" quase a música inteira, demonstrando toda a sua "musicalidade" e atrapalhando os outros músicos e os vocalistas e prejudicando a edificação.

Outras vezes, os músicos não possuem "noção de conjunto", ou seja, dependendo da música que será executada, os instrumentos terão seus papéis bem definidos, e eles não podem, geralmente, ser todos executados ao mesmo tempo e durante toda a música, ao menos que seja um grupo realmente muito bem preparado e com um técnico de som qualificado.

Uma música, por exemplo, "pede" que seja mais utilizado um violão ou guitarra, outra o teclado ou piano ou ainda instrumentos de sopro e assim por diante. Sem falar que os instrumentos devem estar em uma sintonia, um entrosamento tal que haja "dinâmica", isto é, variações de intensidade e expressão na execução da música.

Para isso, os instrumentos devem variar o seu volume e também se revezarem na execução da música, um momento é um instrumento que será mais utilizado, como na estrofe, outro momento é outro instrumento, como no refrão ou até mesmo um solo.

Do contrário, todos tocarão muitas notas (muitos esquecem que a "pausa" também faz parte da música) e tocarão todos ao mesmo tempo e em um volume muito alto e será uma mistura sonora confusa, sem clareza e que fará com que os microfones dos vocalistas tenham que ter o seu volume aumentado.

O que ocorre muitas vezes é que muitos ministérios utilizam muitos instrumentos e muitos vocalistas, além do necessário para o contexto daquele grupo. Geralmente são dois tecladistas, dois violonistas e um guitarrista, mais o baixista e o baterista (um dos músicos mais criticados). Sem mencionar os instrumentos de sopro. Sem mencionar quatro, seis, oito ou mais vocalistas.

Todo este aparato pode ser uma bênção se estiver bem ensaiado, entrosado e cada um souber fazer a sua parte na hora certa. Mas, sem essas características, o resultado só pode ser um som altíssimo e muitas vezes desentrosado, onde nem as vozes e muito menos a mensagem conseguimos distinguir.

Portanto, tudo isso que comentamos eleva em muito o volume sonoro, o que, nestes casos, é inversamente proporcional à qualidade musical e à edificação que provoca nos ouvintes ou na congregação.

A congregação, por sua vez, gosta muito do momento dos cânticos (acredito que a grande parcela da congregação) e anela, anseia em louvar a Deus, mas se depara com um verdadeiro "show irritante e não edificante de talentos desentrosados e perdidos".

Muitas vezes, inclusive, os participantes não se prepararam adequadamente (não só na técnica, mas principalmente na santificação e na unidade) para a execução daquelas canções, ou por negligência ou por soberba, por acreditarem que já sabem tudo e não precisam ensaiar.

Graças ao bom e misericordioso Deus existem muitas exceções, existem excelentes grupos de louvor, santificados, em unidade, entrosamento de técnica instrumental e vocal e principalmente com mensagens biblicamente embasadas.

Muitos destes problemas que mencionamos e que são encontrados em muitas igrejas podem ter sido causados devido à ausência de uma orientação pastoral adequada, ou ausência de um ministro de louvor bem preparado que oriente bem o grupo.

Ou por falha na sonorização e acústica adequada do templo, entre outros fatores possíveis (como a dificuldade de disciplinar em amor, transferir de ministério ou de até excluir do rol de membros do ministério um irmão ou irmã que já deu provas incontestáveis de que não é adequado para o ministério, por uma ou mais razões).

Não que em todos estes casos haja um culpado específico, mas o ministério de música (ou de cânticos congregacionais) é uma área delicada da igreja entre todos os demais ministérios, mas não é mais importante que os outros, é igualmente importante como todos os outros ministérios, e é uma área relativamente nova na música cristã no que se refere à este modelo de grupo se pensarmos em termos de história da música dentro da igreja cristã protestante.

Já no caso dos quartetos e corais, por exemplo, que geralmente utilizam hinos e também certamente fazem parte do ministério de música da igreja, mas com uma formação e um estilo geralmente diferentes, possuem uma tradição bem mais antiga e sólida dentro da música cristã (mas infelizmente parecem estar em extinsão, o que precisa ser evitado).

E parece que quase sempre eles não apresentam os mesmos problemas de muitos dos chamados "ministérios ou grupos de cânticos" atuais, que temos mencionado até aqui. Não será que é devido ao fato de que estes quartetos ou corais (acreditamos que em sua imensa maioria) não se deixaram influenciar por este "espetáculo" ou "show" tão em "moda" nos últimos anos?

Em seu livro "O que estão fazendo com a Igreja" (p. 159), o Rev. Augustus Nicodemus Lopes, entre outros assuntos, abordou algumas questões problemáticas dentro do ministério de música nas igrejas evangélicas atuais. Em um inteligente texto fictício como sendo uma carta escrita por ele a um jovem pastor sobre o grupo de louvor de sua igreja, em uma das sugestões ele afirmou:

"Com muito cuidado, procure diminuir o volume com que eles tocam. Domingo à noite fui pregar em uma igreja e sentei-me no primeiro banco aguardando o momento da pregação. O volume do grupo de louvor estava tão alto que não aguentei - levantei-me e saí discretamente. Quando consegui chegar ao lado de fora, percebi que meus ouvidos estavam zumbindo. Por alguma razão, os grupos de louvor têm a ideia de que os cânticos têm que ser tocados e cantados com os instrumentos e o vocal no volume máximo. O que você pode fazer para convencê-los de que sempre estão tocando muito mais alto do que o necessário é conseguir trazer um especialista com um medidor de decibéis durante os ensaios para medir o nível de ruído. Isso vai mostrar para eles como muitos se sentem incomodados com aquilo - inclusive vizinhos silenciosos que podem até não reclamar na polícia, mas que no íntimo já tomaram a decisão de que jamais se tornarão cristãos. Em especial, trabalhe com o baterista, procurando convencê-lo de que o alvo da bateria não é fazer barulho, mas marcar o compasso da música de maneira discreta, misturando-se com a melodia, a ponto de se tornar quase imperceptível. Esse provavelmente será o seu trabalho mais difícil. Um presbítero meu amigo quase ficou surdo com o volume do grupo de louvor."

No livro "Pentecostalismo e futuro das igrejas cristãs" (pp. 74-75), Waldo Cesar e Richar Shaull, comentando sobre a forma de liturgia nas igrejas atuais, entre outras considerações, afirmaram que:

"O burburinho cresce, os alto-falantes chegam aos últimos assentos como eco de uma trovoada." (mencionado no livro "Decepcionados com a graça" de Paulo Romeiro, p. 77).

Na segunda e última parte deste estudo continuaremos ponderando sobre essa questão.

Que Deus nos abençoe. Amém.