A Igreja evangélica brasileira atualmente está passando por uma fase que acreditamos ter se iniciado nos anos 90 na "explosão" da música gospel em nosso país, influenciadas por cantores e bandas "gospel", nacionais e internacionais, que por sua vez, foram influenciados por bandas seculares.
Não, não estamos mencionando aqui a revolução dos estilos musicais dentro da música evangélica. No momento a nossa preocupação não é com os estilos e ritmos em si, que podem ser utilizados apropriadamente em cada contexto.
A nossa preocupação específica neste momento é mencionar a grande, para não denominar absurda, utilização de um volume sonoro exacerbado nas apresentações (sim, muitas vezes, não todas, parecem mais meras apresentações e não cultos a Deus) de bandas gospel.
E para piorar, é o que ocorre também com muitos ministérios de louvor e adoração dentro das igrejas evangélicas atualmente.
A nossa preocupação específica neste momento é mencionar a grande, para não denominar absurda, utilização de um volume sonoro exacerbado nas apresentações (sim, muitas vezes, não todas, parecem mais meras apresentações e não cultos a Deus) de bandas gospel.
E para piorar, é o que ocorre também com muitos ministérios de louvor e adoração dentro das igrejas evangélicas atualmente.
Os chamados grupos ou ministérios de louvor (há muitas exceções) nos últimos anos importaram o mesmo tipo de "espetáculo" executado pelas bandas gospel em grandes espaços urbanos abertos ou mesmo cobertos, como parques, ginásios, estádios, entre outros, e o inseriram paulatinamente dentro dos templos, até mesmo das denominações evangélicas mais tradicionais (é evidente que neste último caso, essa inserção demorou muito mais).Essa importação de comportamento ocorreu mesmo que para isso tenha sido infelizmente travada uma luta interna por longos anos entre os que gostam ou não de um determinado ritmo ou entre aqueles que gostam ou não de um determinado instrumento musical.
Reforçamos aqui que acreditamos que os ritmos não são o problema desde que utilizados com bom senso e no contexto apropriado.
O grande problema é que um nível sonoro semelhante (não idêntico é evidente) que se aplica corretamente naqueles lugares e contextos, para a evangelização, por serem grandes espaços e necessitarem de uma grande potência sonora, por exemplo, está sendo utilizado nos templos, muitas vezes em pequenos espaços e muitas vezes sem o mínimo critério de faixa etária, pois até os irmãos mais idosos acabam sofrendo com este problema.
O grande problema é que um nível sonoro semelhante (não idêntico é evidente) que se aplica corretamente naqueles lugares e contextos, para a evangelização, por serem grandes espaços e necessitarem de uma grande potência sonora, por exemplo, está sendo utilizado nos templos, muitas vezes em pequenos espaços e muitas vezes sem o mínimo critério de faixa etária, pois até os irmãos mais idosos acabam sofrendo com este problema.
Mas, vamos tentar entender nestes artigos, alguns motivos pelos quais o som de alguns ministérios de louvor é tão agressivo aos ouvidos de muitos (segundo a nossa opinião e a nossa experiência neste ministério durante aproximadamente 22 anos).
Atualmente é possível encontrar em igrejas evangélicas (graças a Deus existem muitas exceções) muitas vezes um grupo praticamente composto de jovens e adolescentes (onde a diferença de idade muitas vezes gera conflitos de ideias pois alguns são imaturos), onde muitos destes até possuem temor a Deus e bom testemunho, mas não foram bem avaliados antes de ingressarem no ministério, não possuem capacidade especificamente para o ministério de música, eles precisam, por exemplo, ou usar seus outros talentos e dons em outro ministério ou então fazerem um aperfeiçoamento no instrumento que tocam ou em um curso de canto.
Ou ocorre o contrário, ou seja, indivíduos que possuem um enorme talento, cantam ou tocam com maestria, mas, infelizmente, desejam apenas mostrarem a eles mesmos no palco e seu virtuosismo e não louvar a Deus e edificar a igreja. Estes, por sua vez, precisam ser temporariamente afastados, melhor discipulados e ensinados ou lembrados acerca da humildade cristã e o dom de servirmos uns aos outros.
Ou ocorre o contrário, ou seja, indivíduos que possuem um enorme talento, cantam ou tocam com maestria, mas, infelizmente, desejam apenas mostrarem a eles mesmos no palco e seu virtuosismo e não louvar a Deus e edificar a igreja. Estes, por sua vez, precisam ser temporariamente afastados, melhor discipulados e ensinados ou lembrados acerca da humildade cristã e o dom de servirmos uns aos outros.
Esse hipotético grupo de louvor que estamos citando como exemplo, já com todas essas falhas, adiciona ainda as questões da falta de noção de conjunto, falta de musicalidade, falta de ensaio, demonstrações particulares e inapropriadas de talento individual, etc.
Resumindo, muitos músicos cristãos se esqueceram ou nunca aprenderam que eles precisam produzir o "acompanhamento", eles apenas "acompanham" as vozes e não podem sobressair.
As vozes devem sobressair, elas transmitem a mensagem, que é o elemento mais importante da música e que deve ser entregue com clareza.
Mas, muitos dos músicos parecem desejar avidamente "solar" quase a música inteira, demonstrando toda a sua "musicalidade" e atrapalhando os outros músicos e os vocalistas e prejudicando a edificação.
Resumindo, muitos músicos cristãos se esqueceram ou nunca aprenderam que eles precisam produzir o "acompanhamento", eles apenas "acompanham" as vozes e não podem sobressair.
As vozes devem sobressair, elas transmitem a mensagem, que é o elemento mais importante da música e que deve ser entregue com clareza.
Mas, muitos dos músicos parecem desejar avidamente "solar" quase a música inteira, demonstrando toda a sua "musicalidade" e atrapalhando os outros músicos e os vocalistas e prejudicando a edificação.
Outras vezes, os músicos não possuem "noção de conjunto", ou seja, dependendo da música que será executada, os instrumentos terão seus papéis bem definidos, e eles não podem, geralmente, ser todos executados ao mesmo tempo e durante toda a música, ao menos que seja um grupo realmente muito bem preparado e com um técnico de som qualificado.
Uma música, por exemplo, "pede" que seja mais utilizado um violão ou guitarra, outra o teclado ou piano ou ainda instrumentos de sopro e assim por diante. Sem falar que os instrumentos devem estar em uma sintonia, um entrosamento tal que haja "dinâmica", isto é, variações de intensidade e expressão na execução da música.
Para isso, os instrumentos devem variar o seu volume e também se revezarem na execução da música, um momento é um instrumento que será mais utilizado, como na estrofe, outro momento é outro instrumento, como no refrão ou até mesmo um solo.
Do contrário, todos tocarão muitas notas (muitos esquecem que a "pausa" também faz parte da música) e tocarão todos ao mesmo tempo e em um volume muito alto e será uma mistura sonora confusa, sem clareza e que fará com que os microfones dos vocalistas tenham que ter o seu volume aumentado.
Para isso, os instrumentos devem variar o seu volume e também se revezarem na execução da música, um momento é um instrumento que será mais utilizado, como na estrofe, outro momento é outro instrumento, como no refrão ou até mesmo um solo.
Do contrário, todos tocarão muitas notas (muitos esquecem que a "pausa" também faz parte da música) e tocarão todos ao mesmo tempo e em um volume muito alto e será uma mistura sonora confusa, sem clareza e que fará com que os microfones dos vocalistas tenham que ter o seu volume aumentado.
O que ocorre muitas vezes é que muitos ministérios utilizam muitos instrumentos e muitos vocalistas, além do necessário para o contexto daquele grupo. Geralmente são dois tecladistas, dois violonistas e um guitarrista, mais o baixista e o baterista (um dos músicos mais criticados). Sem mencionar os instrumentos de sopro. Sem mencionar quatro, seis, oito ou mais vocalistas.
Todo este aparato pode ser uma bênção se estiver bem ensaiado, entrosado e cada um souber fazer a sua parte na hora certa. Mas, sem essas características, o resultado só pode ser um som altíssimo e muitas vezes desentrosado, onde nem as vozes e muito menos a mensagem conseguimos distinguir.
Todo este aparato pode ser uma bênção se estiver bem ensaiado, entrosado e cada um souber fazer a sua parte na hora certa. Mas, sem essas características, o resultado só pode ser um som altíssimo e muitas vezes desentrosado, onde nem as vozes e muito menos a mensagem conseguimos distinguir.
Portanto, tudo isso que comentamos eleva em muito o volume sonoro, o que, nestes casos, é inversamente proporcional à qualidade musical e à edificação que provoca nos ouvintes ou na congregação.A congregação, por sua vez, gosta muito do momento dos cânticos (acredito que a grande parcela da congregação) e anela, anseia em louvar a Deus, mas se depara com um verdadeiro "show irritante e não edificante de talentos desentrosados e perdidos".
Muitas vezes, inclusive, os participantes não se prepararam adequadamente (não só na técnica, mas principalmente na santificação e na unidade) para a execução daquelas canções, ou por negligência ou por soberba, por acreditarem que já sabem tudo e não precisam ensaiar.
Graças ao bom e misericordioso Deus existem muitas exceções, existem excelentes grupos de louvor, santificados, em unidade, entrosamento de técnica instrumental e vocal e principalmente com mensagens biblicamente embasadas.
Muitos destes problemas que mencionamos e que são encontrados em muitas igrejas podem ter sido causados devido à ausência de uma orientação pastoral adequada, ou ausência de um ministro de louvor bem preparado que oriente bem o grupo.
Ou por falha na sonorização e acústica adequada do templo, entre outros fatores possíveis (como a dificuldade de disciplinar em amor, transferir de ministério ou de até excluir do rol de membros do ministério um irmão ou irmã que já deu provas incontestáveis de que não é adequado para o ministério, por uma ou mais razões).
Não que em todos estes casos haja um culpado específico, mas o ministério de música (ou de cânticos congregacionais) é uma área delicada da igreja entre todos os demais ministérios, mas não é mais importante que os outros, é igualmente importante como todos os outros ministérios, e é uma área relativamente nova na música cristã no que se refere à este modelo de grupo se pensarmos em termos de história da música dentro da igreja cristã protestante.
Ou por falha na sonorização e acústica adequada do templo, entre outros fatores possíveis (como a dificuldade de disciplinar em amor, transferir de ministério ou de até excluir do rol de membros do ministério um irmão ou irmã que já deu provas incontestáveis de que não é adequado para o ministério, por uma ou mais razões).
Não que em todos estes casos haja um culpado específico, mas o ministério de música (ou de cânticos congregacionais) é uma área delicada da igreja entre todos os demais ministérios, mas não é mais importante que os outros, é igualmente importante como todos os outros ministérios, e é uma área relativamente nova na música cristã no que se refere à este modelo de grupo se pensarmos em termos de história da música dentro da igreja cristã protestante.
Já no caso dos quartetos e corais, por exemplo, que geralmente utilizam hinos e também certamente fazem parte do ministério de música da igreja, mas com uma formação e um estilo geralmente diferentes, possuem uma tradição bem mais antiga e sólida dentro da música cristã (mas infelizmente parecem estar em extinsão, o que precisa ser evitado).
E parece que quase sempre eles não apresentam os mesmos problemas de muitos dos chamados "ministérios ou grupos de cânticos" atuais, que temos mencionado até aqui. Não será que é devido ao fato de que estes quartetos ou corais (acreditamos que em sua imensa maioria) não se deixaram influenciar por este "espetáculo" ou "show" tão em "moda" nos últimos anos?
E parece que quase sempre eles não apresentam os mesmos problemas de muitos dos chamados "ministérios ou grupos de cânticos" atuais, que temos mencionado até aqui. Não será que é devido ao fato de que estes quartetos ou corais (acreditamos que em sua imensa maioria) não se deixaram influenciar por este "espetáculo" ou "show" tão em "moda" nos últimos anos?
Em seu livro "O que estão fazendo com a Igreja" (p. 159), o Rev. Augustus Nicodemus Lopes, entre outros assuntos, abordou algumas questões problemáticas dentro do ministério de música nas igrejas evangélicas atuais. Em um inteligente texto fictício como sendo uma carta escrita por ele a um jovem pastor sobre o grupo de louvor de sua igreja, em uma das sugestões ele afirmou:
"Com muito cuidado, procure diminuir o volume com que eles tocam. Domingo à noite fui pregar em uma igreja e sentei-me no primeiro banco aguardando o momento da pregação. O volume do grupo de louvor estava tão alto que não aguentei - levantei-me e saí discretamente. Quando consegui chegar ao lado de fora, percebi que meus ouvidos estavam zumbindo. Por alguma razão, os grupos de louvor têm a ideia de que os cânticos têm que ser tocados e cantados com os instrumentos e o vocal no volume máximo. O que você pode fazer para convencê-los de que sempre estão tocando muito mais alto do que o necessário é conseguir trazer um especialista com um medidor de decibéis durante os ensaios para medir o nível de ruído. Isso vai mostrar para eles como muitos se sentem incomodados com aquilo - inclusive vizinhos silenciosos que podem até não reclamar na polícia, mas que no íntimo já tomaram a decisão de que jamais se tornarão cristãos. Em especial, trabalhe com o baterista, procurando convencê-lo de que o alvo da bateria não é fazer barulho, mas marcar o compasso da música de maneira discreta, misturando-se com a melodia, a ponto de se tornar quase imperceptível. Esse provavelmente será o seu trabalho mais difícil. Um presbítero meu amigo quase ficou surdo com o volume do grupo de louvor."
No livro "Pentecostalismo e futuro das igrejas cristãs" (pp. 74-75), Waldo Cesar e Richar Shaull, comentando sobre a forma de liturgia nas igrejas atuais, entre outras considerações, afirmaram que:
"O burburinho cresce, os alto-falantes chegam aos últimos assentos como eco de uma trovoada." (mencionado no livro "Decepcionados com a graça" de Paulo Romeiro, p. 77).
Na segunda e última parte deste estudo continuaremos ponderando sobre essa questão.
Que Deus nos abençoe. Amém.

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