INTRODUÇÃO
11 de setembro de 2009...eu acabara há poucos dias de completar 35 anos de idade. Há três anos estava tratando de uma doença moderna e temporariamente incapacitante: a síndrome do pânico. Inclusive eu estava desempregado e enfrentando obviamente uma crise financeira.
Depois de realizar alguns exames, um médico gastroenterologista (e proctologista) me trouxe um diagnóstico devastador para mim, minha esposa e minha família...em outras palavras, ele disse mais ou menos assim...
“Você está com um tumor maligno ulcerado no reto, já em estágio avançado. Se em seis meses você não operar e amputar o reto, o tumor vai se espalhar e, então, só por Deus...”
Certamente um susto muito grande. Parece que o chão desaparece, tudo escurece e a "bússola da vida" perde totalmente a direção.
Mas, mudei de médico, passei a me tratar com um excelente médico da minha igreja, que me tratou como um irmão, como alguém da família, com uma visão médica e científica, mas também com os olhos da fé e não apenas me tratando como uma mera estatística como foi com o primeiro médico.
Mas, mudei de médico, passei a me tratar com um excelente médico da minha igreja, que me tratou como um irmão, como alguém da família, com uma visão médica e científica, mas também com os olhos da fé e não apenas me tratando como uma mera estatística como foi com o primeiro médico.
Depois disso se passaram 6 meses, 5 sessões de quimioterapia, 25 sessões de radioterapia, onde precisei esperar de 4 a 5 horas pelo atendimento do SUS, muitas vezes de pé, onde um equívoco médico (de um quarto médico) fez a radiação destruir a minha produção de espermatozóides e me tornou totalmente estéril (pelo menos temporariamente).
Mas graças a Deus, com exceção de incidentes como este (apesar de sério), os sintomas foram mínimos...
Mas graças a Deus, com exceção de incidentes como este (apesar de sério), os sintomas foram mínimos...
À aquele segundo médico mencionado, se uniu um excelente oncologista e, ambos me operaram...
25 de fevereiro de 2010...então, após já estar internado deste o dia anterior, fui submetido a uma complicada cirurgia que amputou o órgão afetado. Fiquei internado três semanas.
16 de março de 2010...um dos dias mais felizes da minha vida. Finalmente os médicos me deram alta e pude ir para casa.
Depois da cirurgia ainda precisei ser submetido a mais 24 sessões de radioterapia, totalizando, assim, 49 sessões.
Agora luto para me adaptar à vida de ostomizado com a graça e a providência divinas e o apoio da minha esposa, da minha família, da igreja e dos amigos. Para mais detalhes sobre pessoas ostomizadas, consultem os sites: http://www.ostomizadosecia.com/ e http://www.abraso.org.br/.
Portanto, infelizmente, não foi possível preservar o meu canal retal e os médicos precisaram amputá-lo para poder garantir que o tumor fosse completamente eliminado do meu organismo.
Com isso, eu passei pelo procedimento médico da COLOSTOMIA. Em outras palavras, devido à amputação do reto, houve a necessidade de fazer uma nova ligação intestinal, uma nova maneira de exteriorizar o processo de eliminação fecal, ou seja, de excreção, e diretamente depositada em uma bolsa de colostomia, fabricada para esta finalidade, que é totalmente discreta, não é possível visualizá-la por baixo da roupa.
Portanto, para esse procedimento se tornar realidade, o final do meu intestino passou a ser no lado esquerdo do abdome, onde foi realizada uma abertura e a aplicação de uma espécie de mucosa chamada ESTOMA.
O impacto que uma pessoa sente ao se transformar em ostomizada é muito forte, é inexplicável. Depois de passar uma vida inteira acostumado à um ritmo de funcionamento do organismo, muda muita coisa. É preciso saber o que comer, que hora comer, que quantidade comer.
São necessários também inúmeros cuidados de enfermagem de uma pessoa muito próxima ao ostomizado, pois ele nem sempre consegue cuidar da colostomia por conta própria e da maneira adequada, e graças a Deus, minha esposa, além de todas as qualidades e virtudes que possue, aprendeu com as enfermeiras "ostomoterapeutas" do INSS e do Hospital Regional todas as principais técnicas e tem desempenhado essa função perfeitamente, com o acompanhamento e avaliação periódico das enfermeiras.
Infelizmente, isso não ocorre em todas as famílias. Segundo os especialistas, muitos ostomizados são praticamente abandonados por sua esposa ou marido ou pela família, por preconceito, repulsa pelo fato de ter que lidar com fezes ou falta de informação, ou são mal cuidados por falta de paciência e cuidado.
Muitos voltam ao hospital com assaduras na pele ao redor do estoma tão graves que precisam ficar internados até a cura total da pele.
Muitos voltam ao hospital com assaduras na pele ao redor do estoma tão graves que precisam ficar internados até a cura total da pele.
Uma pessoa ostomizada enfrenta inúmeros outros problemas, como por exemplo, o constrangimento social, pelo fato, por exemplo, de não poder ir a um clube ou praia mais com tranquilidade, devido à bolsa de colostomia ficar à mostra se essa pessoa desejar tirar a camisa.
Pior, devido à amputação do músculo anal, ocorre a "incontinência" da evacuação. É complicado saber o momento que o organismo vai eliminar as fezes e os gases na bolsa de colostomia, que costumam vir acompanhados de ruídos constrangedores (mas, sem odores). Por isso, é necessária uma alimentação preventiva e em horários regulados.
Sem mencionar o fato de que fica difícil usar calças com cintas, pois a cinta pode apertar o "estoma" ou prejudicar a eliminação fecal. Para evitar esse problema, é preciso se manter magro e com saúde. Quanto mais obeso, maior esse problema será.
E dirigir automóvel também merece cuidados para que o cinto de segurança não machuque o estoma em uma freada brusca, por exemplo.
E dirigir automóvel também merece cuidados para que o cinto de segurança não machuque o estoma em uma freada brusca, por exemplo.
E ainda existem as assaduras e coceiras que podem surgir nos locais onde a placa que prende a bolsa de colostomia entra em atrito com a pele, o que pode ser prejudicado pelo suor no local.
E levando em consideração o nosso clima quente, tudo fica mais complicado. Para tudo existem técnicas de enfermagem, mas é preciso muita paciência.
E levando em consideração o nosso clima quente, tudo fica mais complicado. Para tudo existem técnicas de enfermagem, mas é preciso muita paciência.
Por tudo isso, entre outras coisas, um ostomizado enfrenta problemas para exercer sua profissão, pois as empresas precisam se adaptar ao novo ritmo de trabalho e de vida dele, é necessário adaptar o sanitário, etc.
Um decreto do governo, inclusive, equipara os ostomizados às pessoas com deficiência física devido à amputação. Acessem o seguinte link para conhecer mais: http://www.ostomizados.com/downloads/downloads.html.
Mas, para complicar um pouco, como uma decorrência natural da cirurgia, como o intestino acabou forçando a parede abdominal, surgiu em mim uma hérnia que incomodava bastante, principalmente do ponto de vista estético e fui submetido à mais uma cirurgia para correção deste problema em maio deste ano, que, graças a Deus, foi bem sucedida, uma questão bem menor do que tudo que já passei.
Atualmente, mesmo que o tumor tenha sido 100% eliminado, ainda é preciso passar por diversos exames médicos periódicos para acompanhamento. Aliás, realizei recentemente exames de sangue detalhados, ultrassom e tomografia pélvica (exatamente sobre o local do qual foi retirado o tumor) e os resultados foram amplamente positivos, graças a Deus.
Segundo o meu médico, eu estou de fato livre do tumor e da possibilidade de retorno do mesmo em outro local, mas é preciso continuar acompanhando a minha situação por aproximadamente 5 anos ainda.
Segundo o meu médico, eu estou de fato livre do tumor e da possibilidade de retorno do mesmo em outro local, mas é preciso continuar acompanhando a minha situação por aproximadamente 5 anos ainda.
Um dos grandes aspectos que me consolam em tudo isso é que um dos maiores especialistas nesta área da medicina no Brasil, que opera no afamado Hospital Sírio Libanês na capital paulista (com quem passei por uma consulta e onde fiz um exame antes da cirurgia), atesta que é possível daqui há alguns anos, no mínimo três ou quatro anos, que eu me submeta a uma nova cirurgia, realizada por ele mesmo, mas desta vez, para a reconstrução do canal retal, com praticamente 100% de chance de tudo voltar a funcionar normalmente. Uma bênção sem medida.
O PROJETO GRATIDÃO
Depois de passar por tudo isso, qual é o sentimento que transborda em meu coração? FRUSTRAÇÃO? INFERIORIDADE? REVOLTA? RAIVA? VINGANÇA? DESESPERANÇA? Não. A resposta é...GRATIDÃO...
Onde havia uma situação devastadora, Deus trouxe uma realidade redentora: Uma profunda experiência de inspiração musical diante da enfermidade que foi curada e da atual e temporária limitação física parcial.
O Deus que transforma tragédias em triunfo manteve sob controle o tumor não permitindo que se espalhasse, pois ele já estava há muito tempo no meu organismo, mas sem apresentar sintomas.
Este Deus fez com que uma situação que poderia gerar a morte, pelo contrário, gerasse a vida dentro mim. Só um Deus todo-poderoso poderia realizar uma obra assim.
Este Deus fez com que uma situação que poderia gerar a morte, pelo contrário, gerasse a vida dentro mim. Só um Deus todo-poderoso poderia realizar uma obra assim.
Essa vida toda gerada em mim, gerou uma inspiração musical que eu jamais imaginaria ter. Mais um fato que gera gratidão em mim, pois as músicas deste projeto são um consolo, um guia, um refúgio para mim em vários momentos da minha vida.
Com este projeto, Deus tem me permitido ficar sempre sóbrio e cheio de esperança mesmo em momentos de tribulação. As letras que Ele me inspirou, quando eu ouço as músicas, elas me quebrantam, me levam a acreditar e ter mais fé diante das provações, pois são todas embasadas em Sua Palavra. Esse projeto mudou a minha vida por se originar no coração do Senhor.
Neste período de enfermidade, eu senti, vi de perto e compreendi quantas pessoas estão sofrendo, seja em casa, nos hospitais e nas clínicas, e precisando de uma mensagem de amor, fé, esperança e vitória. Então, pude reavaliar a minha vida, minhas prioridades.
Hoje busco utilizar todo o meu potencial e meus dons e meu ser para glorificar a Deus com a escrita e a música, na medida das minhas pequenas limitações, em vista da situação de outras milhares e milhões pessoas que são muito mais graves do que a minha.
Que este trabalho toque e transforme profundamente suas vidas, meu sincero desejo em Cristo.
Portanto, faço conhecer a todos este mega-projeto musical que Deus me chamou a empreender: o "PROJETO GRATIDÃO".
Desde que recebi a notícia que estava com câncer até este momento, Deus, em Sua misericórdia, me levou a compor e produzir dezenas de músicas cristãs (entre outubro de 2009 e fevereiro de 2011).
Estas músicas, unidas à algumas composições que eu já possuía, totalizam 66 músicas, que, por sua vez, foram divididas em 6 VOLUMES (de acordo com o tema das mesmas), e que serão parte integrante de um DVD com os vídeos legendados em português e inglês, com a permissão de Deus, no início de 2012.
Assistam aos vídeos e ouçam as listas de MP3 disponibilizados neste blog para conhecerem o repertório e serem abençoados. Este é o meu anseio em nome do Senhor Jesus.
Assistam aos vídeos e ouçam as listas de MP3 disponibilizados neste blog para conhecerem o repertório e serem abençoados. Este é o meu anseio em nome do Senhor Jesus.
Deus abençoe a todos. Amém.


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